publicado dia 11/12/2017

Como a Cultura Maker permite trabalhar a questão de gênero na sala de aula?

por Débora Garofalo

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11/12/2017|

Por

Sou Débora Garofalo, professora de Informática Educativa da Rede Municipal de Ensino de São Paulo. Estou aqui com vocês, nesse espaço cedido pela Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, para compartilhar e trocar experiências sobre ações pedagógicas envolvendo os direitos humanos.

Estamos diante de uma geração de crianças e jovens com muito acesso à informação. O motivo simples vem da interação com as ferramentas digitais, tão acessíveis, que não é mais possível deixá-la de fora do contexto escolar.

Essa ciência fascinante é capaz de transformar o currículo, torná-lo mais envolvente, atrativo, atribuindo novos sentidos a sala de aula e principalmente nos ajudando a lidar com questões tão complexas a nossa sociedade, como a luta pelos direitos humanos.

O uso de recursos digitais é, sem dúvida, uma oportunidade para transformar o currículo em prol dos direitos humanos, e quero compartilhar com vocês como a cultura maker auxiliou o debate e sensibilização sobre igualdade de gênero e étnico-racial junto com meus alunos.

A importância da cultura maker na sala de aula. Crédito: Arquivo EBC

A importância da cultura maker na sala de aula. Crédito: Arquivo EBC

Vamos lá!

Nas minhas turmas de Ensino Fundamental I e II, sempre houve algo que me inquietou, a questão do desenvolvimento das atividades entre igualdade de gênero e questões raciais. Os meninos sempre com maior facilidade em realizar as atividades propostas e as meninas demostrando dificuldades e às vezes certa resistência em participar.

Comecei observar este comportamento e investigar os motivos. Os meninos sempre menosprezavam as meninas, dizendo a elas que não conseguiam realizar as atividades. Em outros momentos, ao trabalhar certas questões, as crianças não aceitavam sua cor de pele, relatando o oposto de sua verdadeira etnia. É claro, que meninos e meninas desenvolvem competências e habilidades diferenciadas, além de conflitos externos e a escola é o espaço ideal para trabalhar com estas questões. Imediatamente, replanejei as aulas.

Apresentei um desafio às crianças: envolver a cultura maker para trabalhar “Igualdade de Gênero e Étnicos-raciais”.

Tive a ideia de realizar o trabalho de robótica com sucata, uma mão robótica de sucata, onde exploramos as áreas do conhecimento e ciências, ao trabalhar as articulações das mãos.

Também falamos sobre Matemática, por meio de operações aritméticas concretas, associadas às questões de gênero e étnico-raciais, oportunizando espaços para debate e reflexão, associados atividades mão na massa, ao mostrar que os alunos podem ter voz, sentir confiança, realizar perguntas, aprender e desmitificar estereótipos e preconceitos. Deixamos os estudantes à vontade para conversar, tirar dúvidas sobre o assunto, se reconhecerem e reconhecer o outro, ao trabalhar valores, cultura e a autoestima.

Uma atividade simples, com potencial enorme transformador!

Confira abaixo, como replicar a atividade:

Leitura e Roda de conversa

Por meio do livro “Todas as cores do Negro” (Texto e ilustrações de Arlene Holanda. Brasília/DF: Conhecimento, 2008), conversarmos sobre a relação ético-racial, sua cultura, oportunizando aos alunos falar de suas origens, mostrando que não é nosso sexo (feminino e masculino) e nem nossa cor que determina quem somos.

Na sequência, trouxe um espelho pequeno de mão e pedi para que se olhassem e virasse para o colega, dizendo sua cor e conversando a respeito.

Oficina Mão Robótica com Sucata

Entreguei a cada aluno um pedaço de papelão, para que as crianças pudessem desenhar sua mão e recortar.

Na sequência, usando tinta guache nas cores: vermelho, azul, amarelo e branco, misturamos reproduzindo tons de pele e aplicamos sobre as mãos feitas de cartolina e esperamos secar.

Olhando para nossas mãos, definimos as articulações dos dedos e começamos a montá-la, colando com cola quente os canudos cortados na articulação, e por fim, passando o barbante entre os canudos colados e reproduzindo as unhas com fita crepe.

Materiais necessários: cartolina e ou papelão, canudos cortados, barbante, tintas guaches, cola quente, lápis, fita crepe e tesoura.

As atividades podem ser adaptadas e trabalhadas com os diferentes ciclos de aprendizagem.

 

Espero que tenha gostado das sugestões! E você, já realizou alguma atividade sobre igualdade de gênero e étnico-racial em sala de aula? Compartilhe conosco! Um grande abraço e até a próxima.

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