Conheça a metodologia Chega de Trabalho Infantil nos Shoppings Centers

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16/06/2022|

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Iniciativa consiste em seis estratégias que visam transformar o Shopping Center em um ecossistema que contribua com a erradicação do trabalho infantil em sua totalidade.

Chega de trabalho infantil nos Shoppings Centers é uma metodologia desenvolvida para o enfrentamento ao trabalho infantil em espaços privados de uso coletivo que teve como primeiro espaço de implementação o Shopping Metrô Santa Cruz, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, em 2018.

De acordo com Roberta Tasselli, coordenadora da área Comunicação para o Desenvolvimento, da Cidade Escola Aprendiz, para compartilhar a metodologia com empresários, Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA), rede de proteção e sociedade em geral, foram compiladas todas as informações em um livro eletrônico. Para acessar, clique aqui.

Além do Shopping Metrô Santa Cruz, a metodologia já foi implementada também nos Shoppings Pátio Higienópolis (outubro de 2019 a março de 2020), Shopping Center Norte (agosto de 2021 a fevereiro de 2022) e passará a ser implementada no Terminal Barra Funda (maio de 2022 a abril de 2023), com o financiamento do Fundo Municipal de Criança e Adolescente (FUMCAD) e apoio do Conselho Municipal de Criança e Adolescente (CMDCA).

Desenvolvida em parceria com o Shopping Metrô Santa Cruz, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo (SMADS) e o Criança Livre de Trabalho Infantil, a iniciativa consiste em seis estratégias que visam transformar o Shopping Center em um ecossistema que contribua com a erradicação do trabalho infantil em sua totalidade.

Conheça as seis estratégias da metodologia:

  1. Diagnóstico: Equipe da Cidade Escola Aprendiz realiza uma visita técnica ao Shopping a fim de definir o tamanho da equipe. Após essa identificação, o Aprendiz apoia o Shopping no processo seletivo, que deverá ser realizado pelo próprio estabelecimento. A sugestão é que sejam profissionais com formação em Serviço Social ou Psicologia Social, que tenham conhecimento sobre a temática do trabalho infantil e experiência em atendimento a crianças e adolescentes em situação de rua e na rua.
  2. Formação das equipes – orientadores sociais, seguranças e lojistas: A orientadora da Cidade Escola Aprendiz estrutura uma atividade de formação para a equipe de educadores sociais, assim como aos lojistas e seguranças, a fim de sensibilizá-los para o tema e elaborar um protocolo de atendimento e encaminhamentos em conjunto com a equipe de educadores sociais. Além disso, a orientadora realiza orientação diária com a equipe de educadores, para acompanhar amiúde os casos atendidos e respectivos encaminhamentos. Também fica à disposição para atender as equipes caso surja alguma dúvida ou urgência.
  3. Atendimento especializado a crianças e adolescentes: O educador social contratado pelo Shopping passará a atender as crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil e alta vulnerabilidade social de forma humanizada e acolhedora, no intuito de estabelecer vínculos e conseguir construir uma relação de confiança entre eles. É a partir dessa relação que se faz possível obter as informações pessoais necessárias para o cadastramento dessas crianças, adolescentes e famílias nos serviços e programas da Secretaria da Assistência Social do Município voltados ao enfrentamento ao trabalho infantil, assim como de outros atores do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente a serem mapeados. As informações coletadas pela equipe de educadores serão repassadas a esses responsáveis, para que possam dar sequência ao atendimento social previsto nas políticas públicas voltadas às crianças e aos adolescentes e nos projetos de organizações da sociedade civil.
  4. Monitoramento e avaliação: A orientadora da Cidade Escola Aprendiz apoia a equipe de educadores sociais do Shopping na produção de relatórios de monitoramento, além das fichas de cadastros. Confira detalhamento dos relatórios no livro virtual.
  5. Articulação com a rede de proteção social e demais equipamentos do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente:  Mapeamento da rede de proteção local; participação na Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil (CMETI); promoção da Lei do Aprendiz; ações de voluntariado e  mapeamento entre fornecedores do shopping.
  6. Campanha de sensibilização de clientes e lojistas: É executada uma campanha de sensibilização de clientes e lojistas, com foco na desnaturalização do trabalho infantil. É destacado que a melhor forma de ajudar crianças e adolescentes não é a partir da doação, mas sim do acesso ao 156.
    Saiba mais detalhes de como aplicar a metodologia neste link.

 

Sobre o Criança Livre de Trabalho Infantil

O Criança Livre de Trabalho Infantil é um projeto idealizado a partir dos debates promovidos junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) no Fórum Paulista de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, na perspectiva de análise da relação entre racismo e trabalho infantil e a compreensão da educação antirracista também como uma estratégia para o seu enfrentamento.

Criado em 2016 pela organização da sociedade civil Cidade Escola Aprendiz, o projeto então chamado “Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil”, visando a promoção dos direitos da criança e do adolescente a partir da erradicação do trabalho infantil, acolhe no ano 2021 sua reformulação e o novo nome. Com isso, foi criada a seção de educação antirracista e o desenvolvimento dos conteúdos e ações, com apoio do MPT e do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI).

A educação antirracista é considerada um eixo fundamental, pois o trabalho infantil tem relação com o racismo estrutural presente em nossa sociedade. A escravização negra no Brasil durou mais de 350 anos e as crianças foram exploradas como mão de obra doméstica e rural, impactando a garantia de direitos dessa população até hoje. Soma-se a isso, a ausência de medidas eficazes de reparação e políticas públicas capazes de transformar essa realidade.

A partir da comunicação, buscamos desnaturalizar o trabalho infantil disseminando informações relevantes sobre o tema por meio de campanhas, reportagens, colunas e materiais de apoio disponíveis no site e nas páginas do Facebook, Instagram, Twitter e YouTube do Criança Livre de Trabalho Infantil. O intuito é articular atores estratégicos, engajar a sociedade em torno da questão e influenciar políticas públicas (advocacy) que contribuam para o fim do trabalho infantil.

Além das ações de comunicação, desenvolvemos projetos de formação EaD e presencial para a rede de proteção social, assim como elaboramos e executamos metodologias de busca ativa de crianças em situação de trabalho infantil em espaços públicos e privados.

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